Bolinho invade o Palácio das Artes com exposição inédita em BH
Há 17 anos, um cupcake sorridente começou a ocupar os muros de Belo Horizonte. O que parecia apenas mais um grafite entre tantos se transformou em um dos símbolos mais reconhecidos da paisagem urbana da capital mineira. Agora, o Bolinho sai das ruas e entra no circuito cultural oficial da cidade com a exposição "Habitante – Registros de um Bolinho pela Cidade", em cartaz na PQNA Galeria Pedro Moraleida, no Palácio das Artes, até 13 de setembro de 2026.
A mostra reúne 11 obras que investigam como uma imagem pintada em muros passou a fazer parte da memória afetiva de uma cidade inteira. Com entrada gratuita e sem necessidade de retirada prévia de ingressos, a exposição está aberta de terça a sábado, das 9h30 às 21h, e aos domingos, das 17h às 21h.
Da rua para a galeria: a trajetória de um ícone urbano
Criado em 2009 por Maria Raquel Alves Couto, conhecida como Raquel Bolinho, o personagem nasceu quando a artista, então estudante de Letras da UFMG, começou a experimentar o grafite nas ruas de BH. Inspirada pelo fascínio por doces e pela descoberta da arte urbana, ela criou um desenho que rapidamente ganhou as esquinas, muros e viadutos da capital.
Colorido, sorridente e sempre pronto para vestir uma nova fantasia, o Bolinho nunca fica exatamente igual. Ele pode comentar um acontecimento, brincar com um meme, acompanhar uma festa ou simplesmente aparecer para quebrar a rotina de quem passa. Com traços vibrantes e expressões cativantes, o personagem extrapolou os muros da capital mineira e hoje soma milhares de intervenções pelo Brasil e por países como Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Argentina e Holanda.
Para Raquel, o reconhecimento veio da insistência. "Fiquei pensando no que tornou o Bolinho um ícone. Acho que foi essa repetição constante durante 17 anos", afirma a artista. Essa ideia da repetição como força criadora orienta toda a exposição, que investiga o reconhecimento visual construído ao longo de quase duas décadas.
O que esperar da exposição no Palácio das Artes
A mostra está distribuída em cinco ambientes, onde o Bolinho surge inteiro, fragmentado, multiplicado ou apenas sugerido. São pinturas, esculturas, instalações e trabalhos interativos que exploram como a repetição transformou um desenho em parte da identidade visual de Belo Horizonte.
Na entrada, três pinturas mostram um Bolinho sem o contorno preto característico dos grafites, construído por luz e sombra, ao lado de três esculturas em cerâmica criadas por Marlouce Temponi. Em outros momentos da exposição, apenas uma cereja, uma silhueta ou um conjunto de cores são suficientes para acionar a lembrança do personagem no imaginário dos visitantes.
As obras ganham novas linguagens na galeria, entre cerâmicas, telas e módulos táteis, permitindo que o público experimente o Bolinho de formas inéditas. A mostra também marca a doação de uma obra ao acervo da Fundação Clóvis Salgado, consolidando a presença do personagem no patrimônio cultural da cidade.
O título "Habitante" faz referência justamente à relação construída entre o personagem e BH. Para Raquel, o Bolinho não apenas ocupa espaços da cidade, mas passou a estabelecer uma conexão afetiva com eles ao longo de quase duas décadas. "Habitar é mais do que estar num lugar. É participar dele, criar uma relação com esse espaço", explica a artista sobre o conceito da mostra.
Programação especial e ativação cultural
No sábado, 15 de agosto, a exposição recebe uma ativação cultural especial que promete movimentar a galeria. A programação inclui discotecagem do DJ Raphael Bravin e uma performance de pintura ao vivo realizada em parceria entre Raquel Bolinho e o artista Kdu dos Anjos. A ação gratuita convida o público a vivenciar a criação artística em tempo real, resgatando a energia das ruas dentro do espaço institucional.
A iniciativa dialoga com a trajetória da artista, que construiu sua carreira nas intervenções urbanas e agora leva essa experiência para dentro de uma das instituições culturais mais importantes de Minas Gerais. A combinação de música, arte ao vivo e exposição promete criar um encontro entre diferentes públicos e linguagens artísticas.
Arte urbana e memória afetiva da cidade
A exposição parte de uma pergunta central: como uma imagem deixa de ser apenas um desenho e passa a fazer parte da memória de uma cidade? A resposta aparece na forma como os belo-horizontinos se relacionam com o Bolinho. Mais do que um personagem grafitado, ele se tornou companheiro de caminhadas, testemunha de transformações urbanas e elemento da identidade visual de BH.
Depois de 17 anos espalhando o Bolinho pelas ruas, Raquel percebeu que ele havia deixado de ser apenas um personagem para se tornar parte da paisagem afetiva da capital. A repetição da imagem ao longo dos anos fez com que ela ficasse profundamente presente no imaginário das pessoas, permitindo que o personagem seja transformado, fragmentado e experimentado em novas formas sem perder sua identidade.
O Bolinho ocupa agora o Palácio das Artes no mesmo ano em que o complexo cultural celebra 55 anos de história. A conexão entre o personagem nascido nas ruas e a instituição que abriga a produção cultural oficial do estado simboliza o reconhecimento da arte urbana como patrimônio legítimo da cidade.
Serviço: programe sua visita
Exposição: "Habitante – Registros de um Bolinho pela Cidade"
Período: até 13 de setembro de 2026
Local: PQNA Galeria Pedro Moraleida – Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, Belo Horizonte
Horários: terça a sábado, das 9h30 às 21h; domingos, das 17h às 21h
Entrada: gratuita, sem necessidade de retirada prévia de ingressos
Classificação: livre
Programação especial: 15 de agosto, com DJ Raphael Bravin e pintura ao vivo
Dicas do Clib para aproveitar a visita
O Palácio das Artes fica no coração de Belo Horizonte, próximo ao Parque Municipal. Aproveite a visita à exposição para fazer um passeio completo pela região: caminhe pelo parque, visite a Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena (aos domingos) e explore os bares e restaurantes do entorno.
Para quem vai de transporte público, o local é servido por diversas linhas de ônibus que passam pela Avenida Afonso Pena e está próximo a estações do Move. Se preferir ir de carro, há estacionamentos nas proximidades, mas chegue cedo nos fins de semana, quando o movimento aumenta.
A exposição é uma excelente oportunidade para apresentar a arte urbana de BH para crianças e adolescentes, criando pontes entre a produção das ruas e o circuito cultural institucional. Depois da visita, que tal sair à procura de Bolinhos espalhados pela cidade? Transforme o passeio em uma caça ao tesouro urbana e descubra quantos você consegue encontrar pelos bairros de Belo Horizonte.
Fonte: otempo.com.br