Casca: novo bar de cozinha autoral abre no Carmo com brasa e fermentação
A cena gastronômica de Belo Horizonte acaba de ganhar mais um endereço de peso. O Casca, novo restaurante dos chefs Pedro Barros e Victor Zuliani no bairro Carmo, aposta em brasa, fermentação, conservas e processos lentos para trabalhar ingredientes brasileiros. A proposta que dá nome ao bar é ousada: transformar em sabor aquilo que a maioria dos restaurantes descarta — as cascas.
O conceito: aproveitamento integral e técnicas autorais
A casa combina referências orientais e mediterrâneas com um olhar atento para o aproveitamento integral dos produtos. A proposta aparece em preparos como a maionese de casca de mexerica que acompanha o tonkatsu de berinjela, a gremolata feita com cascas de cítricos e o pato aproveitado em três diferentes receitas: o coração vai para o espeto, a carne vira paçoca e o restante se transforma em glacê. Até no bar a lógica se mantém: o drink Casca (R$ 40) é feito a partir de um fermentado das próprias cascas.
O estabelecimento está localizado na rua Outono, nº 579, no Carmo. O salão tem 62 lugares em torno da cozinha aberta. Uma vidraça separa o cliente do fogo, e as banquetas altas do bar aproximam ainda mais quem senta ali. A transparência da cozinha permite que os clientes acompanhem todo o processo de preparo, uma experiência que conecta o público ao trabalho dos chefs.
O cardápio: entre fritos, frios e brasa
Os pratos do bar se organizam em fritos, frios e brasa. Entre os fritos está a patanisca de siri com aioli de coentro. Os frios, como o escabeche de coração de alcatra, vêm acompanhados do pão da casa. Já da brasa saem opções como o grelhado do dia e a língua no bafo, todos preparados com atenção aos detalhes e aos processos de cocção.
No Casca Bar o cardápio é enxuto e certeiro, com opções sem lactose, sem glúten e classificações quanto ao nível de picância. No menu, 40% abordam receitas vegetarianas e funcionam tanto como protagonistas como acompanhamento do grelhado do dia, do assado de tira de costelinha ou da língua no bafo. A diversidade do menu permite que diferentes perfis de clientes encontrem opções que conversem com suas preferências e restrições alimentares.
As ostras chegam frescas às quintas-feiras e podem ser harmonizadas com sidra, em um combo de R$ 66. A bebida tem espaço especial no Casca. Pedro Barros conheceu produtores e diferentes estilos durante pesquisas por Portugal, Espanha e Holanda e, a partir dessas experiências, passou a mapear produtores brasileiros. A carta reúne cinco rótulos: os mineiros Aparesidra, Enaltesidra e Manza, o carioca Evva e o paulista Çã.
Coquetelaria autoral e bebidas especiais
No bar, a carta de coquetéis, assinada por Diego Kruz, segue a mesma lógica da cozinha e utiliza fermentados, xaropes e conservas produzidos na casa. É o caso do Zezé (R$ 35), com vodca, manteiga noisette e alho negro, e do Sobrío Sour (R$ 25), sem álcool, feito com koso de vinagrete e limão. A cerveja tradicional chega na garrafa de 600 ml, em clima de boteco.
A proposta do bar de bebidas é equilibrar sofisticação e acessibilidade. Há espaço tanto para quem busca experimentar sidras artesanais brasileiras quanto para quem prefere uma cerveja gelada no estilo tradicional de bar mineiro. A carta de vinhos também traz rótulos selecionados que harmonizam com os pratos da casa.
Os chefs por trás do Casca
Pedro Barros cozinha desde 2011. Formou-se em gastronomia e aprendeu a técnica nos balcões de sushi. Trabalhou com frutos do mar no litoral de Santa Catarina. De volta a Belo Horizonte, passou pelo Glouton e pelo Nico Sanduíches. Em 2020, abriu o Majuma, sua primeira casa própria.
Victor Zuliani trocou a engenharia pela cozinha e soma mais de dez anos de ofício. Esteve na equipe de abertura do Nicolau Bar da Esquina, ficou à frente do Taika Bar e foi chef executivo do Montê e do Terraço Niê. Amigos de longa data, os profissionais já tinham cozinhado juntos no Nicolau e no Majuma. O Casca é o primeiro restaurante dos dois.
A parceria entre Pedro e Victor traz a experiência de ambos em diferentes vertentes da gastronomia belo-horizontina. Enquanto Pedro tem uma trajetória marcada pela técnica japonesa e pelo trabalho com frutos do mar, Victor carrega a vivência em bares autorais e cozinha contemporânea. A união dos dois resulta em um projeto que dialoga com a tradição dos botecos mineiros sem abrir mão de técnicas refinadas e de uma proposta conceitual bem definida.
Serviço: onde encontrar e quando ir
Casca
Endereço: Rua Outono, 579 - Carmo, Belo Horizonte - MG
Horário: Quarta e quinta, das 18h às 23h; sexta, das 18h à meia-noite; sábado, das 17h à meia-noite. A cozinha fecha 30 minutos antes do horário de encerramento.
Capacidade: 62 lugares
Preços: Drinks a partir de R$ 25; pratos principais e petiscos entre R$ 30 e R$ 70; combo de ostras com sidra por R$ 66
Instagram: @cascabh (confira o perfil para ver fotos dos pratos e acompanhar novidades)
Dica do Clib: como chegar e o que esperar
O Casca fica no Carmo, bairro da região Centro-Sul de BH com fácil acesso por carro e transporte público. Para quem vai de carro, o bairro tem opções de estacionamento nas ruas próximas. De transporte público, diversas linhas de ônibus atendem a região, e o bairro também fica próximo a pontos como a Savassi e o Funcionários, facilitando a chegada a pé para quem já estiver por ali.
A sugestão é reservar com antecedência, especialmente para sextas e sábados, já que o salão comporta 62 pessoas e a casa já vem atraindo atenção desde a inauguração. Chegue com fome e com vontade de experimentar: o cardápio enxuto convida a provar diferentes preparos, e a proposta do bar funciona bem tanto para um jantar completo quanto para petiscos acompanhados de drinks ou cervejas.
Se você aprecia cozinha autoral com técnica, ingredientes brasileiros e um conceito de sustentabilidade que faz sentido no prato, o Casca merece entrar no seu roteiro gastronômico de BH. A proposta de aproveitar cascas e partes normalmente descartadas não é apenas um discurso: está presente em cada preparação, do tonkatsu de berinjela ao drink fermentado. Vale a visita.
Fonte: otempo.com.br