Chef Bruna Martins anuncia Vira-lata, novo bar em BH
A cena gastronômica de Belo Horizonte está prestes a ganhar mais uma casa assinada por uma das chefs mais celebradas da capital. Bruna Martins, que já comanda casas aclamadas como Birosca e Gata Gorda, acaba de anunciar o Vira-lata, seu novo projeto que promete estrear nos próximos meses no bairro Lourdes. O Vira-lata será um bar e choperia que une referências das cozinhas portuguesa e brasileira em um cardápio voltado à cultura da botecagem, trazendo a marca registrada da chef: a fusão entre tradição e inovação, memória afetiva e criatividade.
O conceito por trás do Vira-lata
O conceito da casa nasceu a partir de uma conexão entre tradições de Portugal e de Minas Gerais. A ideia surgiu quando Bruna percebeu um diálogo interessante entre dois universos aparentemente distantes. Em terras portuguesas, é comum encontrar conservas de sardinha, atum e outros pescados vendidas em latas ilustradas, que muitas vezes se transformam em lembranças de viagem. Do lado de cá do Atlântico, a carne de lata ocupa há décadas um lugar de destaque na cultura alimentar mineira.
Ao perceber esse diálogo, Bruna decidiu transformar a ideia das conservas no fio condutor do novo projeto. Mais do que uma simples coincidência culinária, essa conexão revela camadas históricas e culturais que aproximam as duas tradições gastronômicas, e será explorada tanto no conceito visual quanto no cardápio do bar.
O nome escolhido também carrega simbolismo. Ele faz referência ao chamado "complexo de vira-lata", expressão criada por Nelson Rodrigues para descrever a sensação de inferioridade que alguns brasileiros têm em relação a outros países. A proposta da chef é justamente inverter essa lógica: em vez de copiar receitas tradicionais portuguesas de forma literal, ela quer criar uma cozinha que coloque Brasil e Portugal em diálogo horizontal, valorizando a identidade brasileira e mineira com irreverência, inovação e bom humor.
Menu autoral inspirado na botecagem
Embora a culinária portuguesa seja a principal inspiração do menu, Bruna destaca que a proposta não é reproduzir receitas tradicionais, mas reinterpretá-las para dialogar com o público de Belo Horizonte. Como ela mesma explica: "Vários pratos da cozinha tradicional portuguesa foram base da inspiração do menu, porém tudo é para agradar o paladar da botecagem belohorizontina".
Entre as referências estão pataniscas, alheira, bacalhau, sardinha, joelho de porco, escabeche, azeitonas, caldo verde, atum, pastel português e cozidos, todos revisitados pela equipe da casa. "Nada é tradicional, tudo é inspiração", resume a chef, deixando claro que o Vira-lata será um exercício criativo de releitura e não uma reprodução fiel da cozinha lusitana.
As exceções ficam por conta de dois clássicos servidos apenas aos finais de semana: "Exceto uma boa bacalhoada e uma boa feijoada. O resto é só petisco", antecipa Bruna. A estratégia de oferecer esses dois pratos emblemáticos — um português, outro brasileiro — nos fins de semana reforça a proposta de diálogo entre as duas culturas gastronômicas.
A trajetória de Bruna Martins na gastronomia de BH
Com mais de 15 anos de carreira, Bruna Martins se consolidou como uma das principais vozes da gastronomia mineira contemporânea. Seu trabalho é reconhecido por conciliar memória e inovação, colocando a tradição culinária de Minas Gerais em diálogo com tendências mundiais. O Birosca, seu restaurante mais celebrado, tornou-se referência pela cozinha afetiva conduzida por uma brigada inteiramente feminina, que pesquisa e valoriza ingredientes regionais, especialmente os peixes de rio mineiros.
O Gata Gorda, outro projeto da chef, também conquistou o público belo-horizontino com sua proposta descontraída e saborosa. Recentemente, após quatro anos de funcionamento no bairro Floresta, o restaurante Florestal encerrou suas atividades em junho de 2026, abrindo espaço para novos ciclos na trajetória da empresária. O anúncio do Vira-lata vem justamente nesse contexto de renovação e ampliação do portfólio de Bruna.
O que esperar do novo bar
Quem acompanha o trabalho de Bruna Martins sabe que pode esperar um espaço cuidadosamente pensado, onde cada detalhe conta uma história. A chef é conhecida por criar ambientes acolhedores e cheios de personalidade, com objetos garimpados em antiquários e uma estética que remete à memória afetiva mineira, sem abrir mão da contemporaneidade.
No Vira-lata, a expectativa é que essa identidade visual se combine com o conceito das conservas em lata, criando um ambiente que remeta tanto aos mercados e tascas portuguesas quanto aos botecos tradicionais mineiros. O cardápio de petiscos promete ser generoso, pensado para acompanhar chope gelado e boas conversas, no melhor estilo boteco de Belo Horizonte.
A escolha do bairro Lourdes como endereço também é estratégica. A região, tradicional na capital, concentra boa parte da vida gastronômica e cultural da cidade, com fácil acesso e um público que aprecia experiências gastronômicas autorais. O Lourdes tem se consolidado como polo de restaurantes e bares de qualidade, e a chegada do Vira-lata deve reforçar ainda mais essa vocação.
Serviço: fique de olho na abertura
O quê: Vira-lata — bar e choperia de inspiração portuguesa e brasileira
Quando: Previsão de abertura nos próximos meses (data ainda a ser confirmada)
Onde: Bairro Lourdes, Belo Horizonte (endereço exato ainda não divulgado)
Quanto: Informações sobre preços serão divulgadas na abertura
Quem: Comando da chef Bruna Martins (Birosca, Gata Gorda)
Dica do Clib
Enquanto aguarda a abertura do Vira-lata, vale a pena conhecer (ou revisitar) as outras casas de Bruna Martins. O Birosca, no Santa Tereza, é parada obrigatória para quem quer experimentar a cozinha mineira contemporânea em sua melhor forma — não deixe de provar o crudo de surubim com leite de onça e o famoso Eskibon Mineiro na sobremesa. Já o Gata Gorda oferece uma experiência mais descontraída, perfeita para um happy hour ou jantar informal com amigos.
Fique de olho nas redes sociais da chef para acompanhar as novidades sobre a inauguração do Vira-lata. A expectativa é que a casa se torne mais um point imperdível da cena gastronômica belo-horizontina, somando-se ao portfólio de estabelecimentos que fazem de BH a capital mundial dos bares.
Fonte: otempo.com.br