Ópera inédita 'Chica da Silva' estreia no Palácio das Artes
Belo Horizonte recebe a partir desta sexta-feira (19) um dos eventos mais aguardados da temporada cultural mineira: a estreia da ópera inédita "Chica da Silva", no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes. Após uma pré-estreia emocionante em Diamantina no último sábado (12), o espetáculo chega à capital com três apresentações — dias 19, 21 e 23 de setembro — reunindo os três corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado em uma superprodução que propõe uma releitura histórica de uma das personagens mais fascinantes da era colonial mineira.
A ópera é uma encomenda especial da Fundação Clóvis Salgado, parte das celebrações dos 55 anos do Palácio das Artes, e traz a assinatura do compositor Guilherme Bernstein na música original, com libreto de Marcos Bernstein e Flávia Bessone. A montagem reúne a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, o Coral Lírico de Minas Gerais e a Companhia de Dança Palácio das Artes, sob a direção cênica de Julianna Santos e regência de André Brant.
Uma nova visão sobre Francisca da Silva de Oliveira
Conhecida popularmente como Chica da Silva ou Xica da Silva, Francisca da Silva de Oliveira é uma figura cercada de lendas e estereótipos. Nascida escravizada no século XVIII, ela conquistou a liberdade e viveu um relacionamento com o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, tornando-se uma mulher de destaque no Arraial do Tijuco — atual Diamantina. A nova produção operística busca ir além das representações convencionais, propondo uma abordagem que dialoga com estudos históricos e perspectivas contemporâneas sobre sua trajetória.
A soprano Marly Montoni, uma das mais importantes de sua geração, interpreta o papel-título da ópera, enquanto o tenor Ewandro Stenzowski dá vida a João Fernandes. A direção cênica de Julianna Santos aposta em uma narrativa que valoriza a complexidade da personagem, mostrando uma mulher que navegou pelas estruturas de poder de sua época com sagacidade e determinação, sem cair em simplificações. A coreografia de Regina Advento, os cenários de André Cortez, os figurinos de William Rausch e a iluminação de Wagner Pinto completam uma montagem que promete marcar a história do Palácio das Artes.
O que esperar do espetáculo
Quem comparecer ao Grande Teatro Cemig encontrará uma experiência imersiva que combina música erudita, teatro, dança e artes visuais. A produção reúne mais de 100 artistas em cena, entre músicos da orquestra, cantores do coral, bailarinos e solistas. A ópera "Chica da Silva" foi pensada como uma obra de grande escala, com momentos de lirismo intenso, passagens dramáticas e sequências coreografadas que ampliam a narrativa musical.
A versão apresentada em Diamantina foi uma adaptação ao ar livre, com fragmentos da obra em formato especial para a Praça Dr. Prado. Já em Belo Horizonte, o público terá a oportunidade de assistir à montagem completa, com toda a infraestrutura técnica do teatro e o cenário original. A proposta é criar um espetáculo que dialogue com o presente, trazendo à tona questões sobre liberdade, identidade, poder e resistência — temas que ressoam fortemente nos dias de hoje.
Serviço: ingressos, horários e como chegar
As apresentações acontecem no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, na Avenida Afonso Pena, 1537, Centro de Belo Horizonte. A primeira sessão será nesta sexta-feira (19) às 19h, seguida pelas apresentações de segunda-feira (21) às 20h e quarta-feira (23) também às 20h. A classificação indicativa é livre, permitindo que toda a família possa aproveitar este marco da cultura mineira.
Os ingressos custam R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia-entrada, e estão à venda pela plataforma Sympla, nas bilheterias do Palácio das Artes e nos totens de autoatendimento do complexo cultural. Vale lembrar que estudantes, idosos, pessoas com deficiência e jovens de 15 a 29 anos comprovadamente carentes têm direito à meia-entrada. Também há gratuidade para crianças de até cinco anos (no colo dos pais), pessoas com deficiência (mediante comprovação) e doadores de sangue.
Dica do Clib: chegue com antecedência
O Palácio das Artes fica na região central de Belo Horizonte, com fácil acesso por transporte público. Várias linhas de ônibus passam pela Avenida Afonso Pena e pela Praça da Liberdade, a poucos metros do complexo. Para quem vai de carro, há estacionamentos próximos na região, mas recomendamos chegar com antecedência, especialmente nos horários de pico.
O Clib sugere que você aproveite para explorar o entorno do Palácio das Artes antes ou depois do espetáculo. A região da Praça da Liberdade concentra outros equipamentos culturais, como o Centro Cultural Banco do Brasil e a Casa Fiat de Cultura, além de bares e restaurantes charmosos. Chegue com pelo menos 30 minutos de antecedência para retirar o ingresso, encontrar seu lugar com calma e mergulhar na atmosfera de uma noite especial de ópera em BH.
Chica da Silva e o legado cultural mineiro
A escolha de Chica da Silva como tema para uma ópera inédita reforça a importância de revisitar personagens históricos sob novas perspectivas. Muito já se falou sobre essa mulher que desafiou as convenções de sua época, mas grande parte dessas narrativas esteve marcada por visões estereotipadas e até preconceituosas. A proposta da Fundação Clóvis Salgado é apresentar uma Chica humana, complexa, inteligente e estratégica — uma mulher que soube usar os mecanismos disponíveis para transformar sua realidade e deixar uma marca indelével na história de Minas Gerais.
A ópera integra uma série de celebrações pelos 55 anos do Palácio das Artes, que incluem ainda outras três montagens operísticas ao longo de 2026, exposições, concertos e a inauguração do Canal Palácio das Artes no YouTube. Este é um momento de reafirmação da importância do maior complexo cultural da América Latina como espaço de produção, difusão e democratização do acesso à arte. A temporada de "Chica da Silva" promete ser um dos pontos altos deste ano comemorativo, reunindo tradição e inovação em um espetáculo que ficará na memória do público.
Fonte: diariodocomercio.com.br