Semana da Cozinha Mineira celebra tradição gastronômica em BH
Belo Horizonte acaba de receber a Semana da Cozinha Mineira, iniciativa que celebrou a cultura alimentar mineira entre os dias 1º e 3 de julho, antecipando as comemorações do Dia da Gastronomia Mineira, marcado para 5 de julho. O evento, realizado na Cozinha Interativa Itambé Cumbucca, no tradicional Mercado Central, reuniu chefs renomados, especialistas, representantes do turismo e produtores rurais em uma programação gratuita que incluiu painéis, mesas-redondas, cozinhas ao vivo e degustações.
Encontro entre tradição e inovação gastronômica
A escolha da data para as celebrações presta homenagem ao escritor e pesquisador Eduardo Frieiro, uma das maiores autoridades nos estudos sobre a cultura alimentar mineira. A programação da Semana trouxe à tona temas fundamentais para a valorização da gastronomia de Minas, como a salvaguarda da cozinha afro-mineira, o papel da agricultura familiar, práticas sustentáveis e a formação profissional no setor.
A abertura oficial do evento aconteceu no dia 1º de julho, às 10h, com uma recepção especial com café mineiro, seguida pela palestra "Cozinha Mineira: tradição e inovação", ministrada pelo chef Leonardo Paixão, à frente de casas como Glouton, Ninita, Macaréu e Nicolau. Logo após, a chef Fabí Rodrigues, do Cumbucca, conduziu uma cozinha ao vivo no fogão a lenha, preparando canjica com doce de leite e coco em tacho de cobre, demonstrando técnicas ancestrais da culinária do interior.
Debates sobre salvaguarda e memória gastronômica
No período da tarde do primeiro dia, um dos momentos mais importantes foi o painel "Salvaguarda da Cozinha Afro-Mineira: patrimônio, memória e saberes tradicionais", mediado por Steffane Pereira Santos, do IEPHA-MG, e com a participação das chefs Danny Mendes, do Jabakule, e Milsane de Paula, da Cozinha São Sebastião. O debate reforçou a importância de preservar e valorizar as contribuições africanas para a gastronomia mineira.
Às 16h, outra cozinha ao vivo teve como protagonista o clássico feijão tropeiro, preparado por Juliana Duarte, do Cozinha Santo Antônio, e José Newton Meneses, da UFMG. O chef e o pesquisador exploraram a história e os gestos que transformam ingredientes simples em um dos pratos mais emblemáticos de Minas.
O encerramento do primeiro dia contou com um bate-papo especial sobre "Belo Horizonte no mundo: a força da cozinha mineira", com a delegação de BH que participou do Festival Internacional de Gastronomia em Macau. Estiveram presentes Vitor Velloso e Isabela Rocha, do Bar Pirex; Bernardo Cançado e André Castanheira, do Café Palhares; e Fernanda Abdallah e Eduardo Pimentel, do Feijão Maletta, compartilhando a experiência de levar a cultura alimentar mineira ao cenário internacional.
Formação profissional e turismo gastronômico
No segundo dia, a programação se aprofundou em questões relacionadas à formação e ao desenvolvimento do setor. O painel "Da tradição à inovação: o novo cenário da formação profissional" foi conduzido por Edson Puiati e Moisés Gonzaga, do Senac em Minas, destacando a importância de capacitar profissionais que dominem tanto as técnicas tradicionais quanto as tendências contemporâneas da gastronomia.
À tarde, o debate "Do território à mesa: a cozinha mineira na construção dos destinos" reuniu Nathalia Heringer, do Sebrae Minas, Erica Maia, do IGR Veredas, e Mariela Franca, do IGR Grutas, explorando como a gastronomia se torna um pilar estratégico para o desenvolvimento turístico de diferentes regiões de Minas Gerais.
Outro momento especial foi a cozinha ao vivo comandada por Márcia Nunes, do restaurante Dona Lucinha, e Flávio Trombino, do Xapuri, que prepararam o tradicional sanduíche de chouriço com linguiça e queijo minas, analisando a trajetória histórica e as transformações contemporâneas dessa iguaria mineira.
Sustentabilidade e economia criativa
O encerramento do segundo dia trouxe à discussão o tema "Gastronomia e sustentabilidade econômica: práticas que impulsionam e desenvolvem", com a participação de Rodrigo Bernardini, do Instituto ITI, e Julio Fontoura, representante do município de Ipanema. O painel mostrou como a gastronomia pode ser uma ferramenta de transformação econômica e social quando aliada a práticas sustentáveis.
Segundo levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o setor gastronômico movimenta cerca de R$ 47 bilhões por ano em Minas Gerais, evidenciando a relevância econômica da culinária para o estado. Além do impacto financeiro, a cozinha mineira carrega a história e a identidade do estado, formada pelo encontro entre influências indígenas, africanas e tropeiras, preservadas nas fazendas, quintais e cozinhas de família dos 853 municípios mineiros.
Serviço: Semana da Cozinha Mineira 2026
O quê: Evento gratuito com painéis, cozinhas ao vivo, degustações e debates sobre a gastronomia mineira
Quando: 1º a 3 de julho de 2026 (evento já realizado)
Onde: Cozinha Interativa Itambé Cumbucca, Mercado Central de Belo Horizonte - Av. Augusto de Lima, 744, Centro, Belo Horizonte
Quanto: Entrada gratuita
Mais informações: Acompanhe a programação pelos canais oficiais da Belotur e redes sociais do evento
Dica do Clib: mergulhe na cultura do Mercado Central
Além de ter sido palco da Semana da Cozinha Mineira, o Mercado Central é uma das grandes vitrines da gastronomia mineira em Belo Horizonte. Aproveite para explorar os mais de 400 boxes e experimentar queijos artesanais, doces de leite, cachaças premiadas, temperos, embutidos e quitandas que fazem fama nacional. É parada obrigatória para quem quer entender a alma da culinária de Minas e levar um pedacinho dessa tradição para casa.
Fonte: otempo.com.br